EDITORIAL | Adeus, senhor Entrudo. Até para o ano
Ainda é cedo para balanços, que serão feitos em tempo oportuno pela organização do Carnaval de Torres Vedras. Mas já percebemos que foi igual a si próprio: uma festa que começa logo a seguir à passagem de ano com sucessivos “assaltos de Carnaval”, passa pela inauguração do monumento e termina em êxtase nestes seis dias de folia: o desfile escolar e a chegada dos reis na sexta-feira, concurso de grupos de mascarados no sábado, corsos diurnos de domingo e terça-feira, corso trapalhão na noite de segunda-feira e o enterro do Entrudo da quarta-feira.
Outrora o Carnaval de Torres era vivido essencialmente com os cursos diurnos e depois havia os bailes nas coletividades, dentro de casa. Nos últimos anos a festa passou para as ruas até de madrugada, em várias praças da cidade, com música e bares, excetuando a discoteca “Túnel”, que continua a manter esse cariz de recinto fechado entre quatro paredes. Os carnavais das coletividades acabaram, não tiveram hipótese de sobreviver à tamanha atração de gente foliona às ruas e praças da cidade. Este ano a Física recuperou os míticos bailes, mas, claro, o regresso não aconteceu nos dias de Carnaval mas algumas semanas antes, como seria sensato.
A inauguração do Monumento e o Enterro do Entrudo eram momentos quase íntimos, só para os torrienses, a abrir e a fechar o Carnaval de Torres. Hoje até esses acontecimentos atraem multidões. Tal como a chegada dos reis, que sempre foi um momento significativo de atração de gente desde a estação do caminho-de-ferro, mas já teve lugar na Praça do Município, numa cerimónia para os da casa, e agora transformou a noite de sexta-feira numa espécie de abertura das hostilidades até de madrugada, beneficiando da frescura física dos foliões. Afinal de contas, é apenas a primeira de várias noites de festa.
Foi um risco levar o Carnaval para a rua, num tempo de inverno mais para o frio e a chuva do que outra coisa. Este ano, mesmo realizado já no mês de março, o São Pedro voltou a não ser amigo e trouxe a chuva. Algo que não assusta nem afasta quem se quer divertir, como já tem sido comprovado ano após ano. Só a Covid conseguiu interromper a animação popular, embora se tenham encontrado formas alternativas de festejar o Carnaval, o que, convenhamos, não foi bem a mesma coisa.
A escolha do tema deste ano não foi pacífica. “Os 50 anos do 25 de Abril” recebeu muitas críticas. Tratando-se, contudo, do Carnaval de Torres, o tema é o menos importante. Pode ser um qualquer, que a malta trata de puxar pela imaginação e alguma coisa arranja para aludir ao proposto. Só tive pena que muitos tivessem insistido em máscaras de militares, salvo algumas exceções. Havia tanto onde ir buscar inspiração!