Sociedade Filarmónica Incrível Aldeia Grandense celebrou 130º aniversário com fardamento novo
A Banda de Música da Sociedade Filarmónica Incrível Aldeia Grandense (SFIA) celebrou no passado dia 5 o seu 130º aniversário. A data, carregada de história e significado, foi assinalada com um concerto e a tão aguardada apresentação do novo fardamento da banda, bem como pela entrada de novos músicos, saídos da sua escola.

A comunidade local reuniu-se no Largo Caetano dos Santos, numa atmosfera de festa e reconhecimento pelo papel cultural desempenhado desde sempre pela sua banda. Foi ali, em frente à sede, construída em 1976, o primeiro desfile dos músicos com o novo uniforme, com a presença da presidente da Câmara Municipal de Torres Vedras, Laura Rodrigues, e do presidente da União de Freguesias de Maxial e Monte Redondo, Mário Matias, entre outros.
“Este momento representa muito mais do que uma mudança de imagem: é o símbolo de uma banda que honra o seu passado, vive o presente com entusiasmo e olha para o futuro com ambição”, disse Luís Bernardes, presidente da direção da SFIA.
O novo fardamento foi adquirido através do Orçamento Participativo da Câmara Municipal de Torres Vedras 2024. A participação ativa e o envolvimento da comunidade na votação desse “sonho coletivo” foi fundamental para a aprovação do projeto, que “vem perpetuar o orgulho cultural da aldeia para as gerações futuras. Este novo fardamento é vosso também”, salientou.
A substituir o antigo uniforme, já bastante degradado, a nova farda “foi pensada para refletir a identidade da filarmónica — o respeito pela tradição, a elegância da arte e o espírito jovem que continua a dar-lhe vida. Ao vestir esta nova farda, veste-se também o peso da história e o compromisso com tudo o que ainda está por vir”.
Para a SFIA, a noite não foi apenas de celebração, foi também de agradecimento e homenagem a todos os que, sem exceção, e ao longo destes 130 anos, contribuíram para o sucesso e a longevidade da associação. “Mais do que um século de história, são 130 anos de música, dedicação, cultura e ligação profunda à comunidade. Uma história feita de gerações de músicos e sócios que, com paixão e compromisso, deram voz a um legado que hoje se renova com orgulho”.
Fundada a 5 de agosto de 1895 por Luís Clemente, juntamente com um grupo de amigos daquela aldeia, a Banda de Música da Sociedade Filarmónica Incrível Aldeia Grandense possuiu atualmente 42 elementos e cerca de 30 alunos na sua Escola de Música.
Ao longo da sua existência, a coletividade tem sentido “algumas dificuldades”, mas foi simultaneamente berço e escola de executantes talentosos ao longo dos tempos. Muitos deles ingressaram em bandas das Forças Armadas portuguesas, sendo de destacar Joaquim Clemente, filho do fundador, Maestro que organizou a Sinfónica do Corpo de Bombeiros Municipais de Lisboa em 1925, emigrou para a América do Sul onde dirigiu as maiores orquestras e fundou a primeira Orquestra Feminina da Argentina.
O primeiro fardamento feminino na SFIA só aparece a partir da década de 70, altura em que integraram os primeiros elementos femininos.
Ao longo do seu historial, a filarmónica ensaiou em diversas casas particulares, tendo em 1976, fruto da carolice das gentes locais, construído a sua própria sede.
Estreia da composição “À SFIA” de António Silva
O concerto, dirigido pelo maestro José Manuel Lino da Silva, teve início com a marcha de abertura “Comendador”, composta por Amílcar Morais, em homenagem e agradecimento ao benemérito Comendador Almeida Roque, pelo seu contributo a diversas bandas filarmónicas. Esta peça é a primeira faixa do CD da SFIA.
Seguiu-se a apresentação de vários temas especiais para a banda, como “Contraste Grosso”, de Jacob de Haan, com o qual conquistou o 2.º lugar no “Giron de la Musique”, em Mont-sur-Rolle, durante uma digressão à Suíça em 2002. Foi também interpretado “Um dia na Figueira” de José Santos Rosa, apresentado pela primeira vez no âmbito do projeto “Orquestra de Sopros de Montejunto” em 2023, em conjunto com as bandas da Associação Sociedade Filarmónica 1º Dezembro de Pragança e Sociedade Filarmónica União e Progresso de Abrigada, entre outras.
O concerto de aniversário marcou a estreia da marcha “À SFIA”, um presente do compositor e músico António Silva, um amigo da casa. “É a minha homenagem a todos os sócios, músicos, maestros e direções que fizeram, e fazem, com que a SFIA se mantenha bem viva. Um grande bem-haja por levarem sempre em frente e com gosto esta dura, mas gratificante tarefa de divulgação da mais bela das artes: a música”, disse o autor.
Durante a sua existência, a banda abrilhantou muitos arraiais, concertos e desfiles. Participou na gravação do filme “Quando o Diabo Desceu à Cidade” e na novela “Filhos do Vento”. É detentora dos mais diversos diplomas e troféus. Foi-lhe atribuída em 1989 a medalha de Mérito Grau Prata e em 1995 a Medalha Grau Ouro pela Câmara Municipal de Torres Vedras. Nelson Aniceto, presidente da mesa da Assembleia da SFIA, e vereador na Câmara, aproveitou para propor ao município que atribua à coletividade a Medalha Municipal de Honra.
Ao concerto seguiu-se o corte do bolo de aniversário.
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