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Sobre a Moção de Censura apresentada pelo Chega

JORGE H.H.SANTOSSão muitas as razões para censurar o Governo: baixos salários e pensões, ataque a direitos, degradação de serviços públicos, transferência de recursos públicos para grupos privados, desinvestimento público, limitações ao aparelho produtivo, promoção da especulação, privatizações, manutenção de défices estruturais, designadamente produtivo, energético, científico e demográfico.
O PCP, denunciou as consequências da política de direita do Governo PSD/CDS - que não iria resolver os problemas, que iria agravá-los e que aproveitou todos e cada um desses problemas como uma oportunidade de negócio. Dissemos que por nós este Governo não entraria em funções e propusemos uma moção de rejeição do seu programa. Como se posicionou o Chega? Votou contra, dando respaldo ao Programa do Governo e às suas opções.
O Chega levou à Assembleia da República uma moção para censurar a degradação das condições de vida, devido à política de direita, assente nos baixos salários e pensões? Não. O Chega, tal como o Governo é cúmplice da acumulação de lucros colossais dos grupos económicos à custa do sacrifício dos trabalhadores e dos reformados.
É uma moção que censura o aumento do custo de vida, com os preços de bens e serviços essenciais, sem que haja intervenção do Governo para os controlar e fixar? Não, não é, tal como o Chega recusa as propostas para controlar os preços de bens essenciais como por exemplo, os bens alimentares, os combustíveis ou o preço da botija do gás, que continua a aumentar, e que tanto penaliza as famílias.
Então, é uma moção que censura a degradação do Serviço Nacional de Saúde, encerramento de serviços, elevados tempos de espera, que deixa utentes sem médico de família? Não, também não é, aliás o Chega tem estado de acordo com as opções do Governo de privatização da saúde e transferência de recursos financeiros do SNS para os grupos privados.
É a habitação. O Chega quer censurar o Governo pelas crescentes dificuldades no acesso à habitação? Também não. O Chega tem rejeitado as propostas para garantir maior estabilidade no arrendamento e proteger os inquilinos.
Estes problemas sentidos todos os dias pelos trabalhadores, pelos reformados, pelo povo passaram ao lado desta moção de censura apresentada pelo Chega.
Esta moção é uma fuga em frente de um partido desorientado no atoleiro em que se encontra.
Sim, consideramos que o Sr. Primeiro-Ministro e o Governo devem explicações ao País e que já o deveriam ter feito.
Sim, o PCP, considera que é preciso pôr fim à promiscuidade entre o exercício de titulares de cargos públicos e os interesses particulares. Entendemos que o exercício de cargos públicos não pode ser para benefício dos próprios em nenhuma circunstância.
Mas quanto ao que está na origem no caso que envolve o Primeiro-Ministro, a alteração à lei dos solos que incentiva a especulação na verdade, o Chega é tão responsável quanto o Governo, porque quando foi a votação na Assembleia da República da cessação de vigência deste decreto, o que fez o Chega? Esteve de acordo com a opção da especulação que já se sabia que iria favorecer o setor imobiliário, votando ao lado do PSD e CDS.
Se há possibilidade de beneficiar com a especulação, alterando o uso de solo de rústico para urbano, sem mais, o Chega, com o seu voto, permitiu que assim fosse. Por isso o Chega não tem autoridade, nem nenhuma moral para censurar o Governo.
Sabemos bem o que o Chega quer. Quer desviar as atenções dos casos em que está envolvido. Não é mais do que uma manobra para sacudir a pressão e as suas responsabilidades nas escolhas que fez e que deixa a descoberto quem verdadeiramente são.
O PCP não patrocina manobras do Chega, nem cala a denúncia das opções do Governo PSD/CDS com as quais o Chega partilha por inteiro.