Eleições para a Presidência da República: o respeito pela instituição
Os Portugueses olham hoje com preocupação para o estado a que chegou a imagem da Instituição Presidência da República Portuguesa. Os mais atentos, sensíveis e íntegros, não podem deixar de querer restaurar o simbolismo que aquela instituição representa para os cidadãos. O respeito, o significado e a representação simbólica que tem para o País e para os Portugueses, fazem com que estes sintam quanto é imperativo recuperar o seu prestígio, reabilitando a imagem e o simbolismo perdido. Quem quer que seja que após as eleições de março de 2026 venha a ocupar aquele lugar ou cargo, não pode deixar de atender às expectativas dos Portugueses e empenhar-se no cumprimento das tarefas e comportamentos que o mesmo exige e os Portugueses esperam. É uma tarefa exigente, com dificuldades múltiplas, devendo e exigindo-se do futuro Presidente uma viragem completa no estilo, na forma e no procedimento. Terá de fazer um corte com o populismo brejeiro, bacoco e inapropriado para aquela função, da qual os Portugueses esperam um verdadeiro paradigma e um exemplo maior a respeitar e aplaudir.
Dos nomes falados e candidatos assumidos, é possível fazer um balanço do seu perfil para o exercício daquela função. O candidato já assumido, Dr. Marques Mendes, tem uma vantagem e um inconveniente. Como vantagem, emerge o facto de ter sido comentador semanal da SIC, aos domingos à noite. Ao aparecer no écran televisivo semanalmente foi visto por muitos portugueses e assim conhecido do grande público. O inconveniente, o facto de ter seguido o percurso do atual Presidente da República (também comentador televisivo), que o desgaste do tempo fez com que deixasse de ser uma preferência dos portugueses, o que era expectável. Os Portugueses fartaram-se de comentadores e certamente poderão vir a prejudicar o candidato nas urnas, pese embora não estar em causa a sua honra ou integridade. No PS permanece a dúvida de quem será o seu candidato. Não parece boa ideia o lançamento do Dr. António Vitorino em oposição a António José Seguro. Mas, a escolha é do PS. Contudo, as funções exercidas pelo potencial candidato António Vitorino em diversas empresas e em posições relevantes, já vindas a público na comunicação social, vão naturalmente ser escrutinadas, podendo levantar dúvidas e até anticorpos para a função. A reserva, nestes casos, é ato prudente e pode evitar embaraços pessoais. Sabe-se que hoje é difícil escapar ao escrutínio da comunicação social. Os candidatos da IL, do BE, do LIVRE, do PCP e eventualmente outros, terão como papel maior dar a conhecer o respetivo partido ou o seu projeto, sem outras aspirações. Fazem prova de vida. Por último, resta a expetativa da hipotética candidatura do Almirante Gouveia e Melo. Este eventual candidato tem o condão de, caso se candidate, encontrar um ambiente social favorável por vários motivos. Primeiro, porque a classe política tem vindo a evidenciar a degradação da sua imagem. O que se passa na Assembleia da República e a que assistimos pela comunicação social, é confrangedor e toca os limites da razoabilidade e da educação. Estarem os cidadãos a suportar os encargos financeiros com deputados que apenas se evidenciam pelos insultos, pela linguagem calão e outros atavios dispensáveis e indignos, merece uma reflexão séria. Talvez a entrada numa escola de reeducação não fosse exagerada. Segundo, o Almirante Gouveia e Melo tem a virtude de não estar comprometido com partidos, o que lhe dá a liberdade e a independência de que os outros candidatos não gozam. Mesmo quando declaram ter entregue o cartão de militante do partido. Isso não passa de um gesto formal, sem qualquer relevância real. Terceiro, o Almirante Gouveia e Melo está fora da estrutura e da cultura partidária, o que o liberta de obedecer consciente ou inconscientemente às regras partidárias, podendo agir com independência e liberdade. Quarto, se o Almirante Gouveia e Melo tem falta de experiência política, como têm afirmado alguns comentadores, poderá ter outras valências que a compensam como a personalidade, integridade, imparcialidade, entre outras. Quinto, embora a eventual candidatura do Almirante Gouveia e Melo pareça anómala em democracia, a verdade é que a degradação da classe política tem vindo a revelar tal indignidade e baixeza de caráter, que nem a invocação da consciência tranquila consegue reparar. É por isso que Gouveia e Melo tem a preferência dos Portugueses. É de lamentar que alguns candidatos e pretensos candidatos em vez de apresentarem o seu propósito e as suas ideias aos Portugueses se dediquem aos ataques pessoais entre si. É completamente inusitado e censurável tal procedimento. Já temos baixeza que chegue.